[Advaita] A Interminável Lista de Tarefas da Mente

40+251 Done-ish
A mente tem uma tendência de rotular tudo como ruim ou como um problema. Se nós acordamos de manhã com um torcicolo, a mente diz que isso é ruim e, em seguida, se preocupa se você está ficando velho. Se descobrirmos que estamos sendo preteridos em nosso trabalho, a mente imediatamente presume o pior e se preocupa com o futuro. Mesmo que algo de bom aconteça, a mente vê o possível lado negativo ou se preocupa em perder o que acaba de ganhar.

A mente, a fim de trazer um futuro melhor, toma para si o trabalho de rejeitar o que está atualmente em curso. Sua lógica é que, se estamos felizes agora, não vamos fazer nada para melhorar as coisas. Então ela procura o que há de errado com a maneira como as coisas são para que ela possa descobrir o que fazer para corrigir ou melhorar as coisas. Isso mantém a mente muito ocupada e nos deixa com uma sensação permanente de carência e incompletude. Há sempre alguma coisa acontecendo que poderia ser rotulada de má, por isso há sempre algo a corrigir ou melhorar. Como resultado, temos uma lista de tarefas cada vez maior em nossas mentes. Podemos sentir a necessidade de melhorar a nossa dieta, nossa aparência, nossas finanças, nossa saúde, nossos relacionamentos, nossa carreira. E, mais diretamente, podemos sentir a necessidade de alterar a forma como nos sentimos sempre que surge um forte sentimento ou sensação.

Temos até mesmo listas de tarefas para melhorarmos espiritualmente: eu preciso ser mais consciente ou mais presente. Preciso ser menos crítico. Preciso encontrar o meu propósito na vida. Preciso ser mais intuitivo. Preciso ser mais compassivo. Preciso ter uma experiência mais profunda da Unidade. Ensinamentos espirituais são principalmente descrições de nossa verdadeira natureza e eles afirmam que já somos o que estamos procurando, mas ainda assim os buscadores espirituais muitas vezes transformam tais ensinamentos em prescrições de como alcançar uma realidade melhor. Buscadores espirituais não estão necessariamente procurando a verdade, mas sim buscando uma lista de tarefas mais espiritual. Mesmo quando informados que a consciência é tudo que existe e que a vida já é amorosa e perfeita, eles querem uma lista de passos a tomar para se sentir bem com mais frequência.

Há uma pergunta simples que pode interromper esta tendência de sentir que precisamos corrigir ou melhorar este momento: O momento presente é realmente tão ruim? Há realmente algo presente, agora mesmo, que seja um problema? E se o torcicolo na parte da manhã não for ruim, mas for apenas uma sensação? E se a sensação do torcicolo na verdade estiver ok?Podemos fazer a mesma pergunta sobre qualquer coisa que estivermos vivenciando:  A tristeza é uma sensação ruim? A confusão é uma sensação ruim? A falta de dinheiro realmente um problema neste exato momento? A perda de um emprego ou de um relacionamento é realmente um problema neste exato momento? Neste exato momento, nunca há um problema, apenas idéias ou estórias sobre um problema.

Esse tipo de questionamento não adiciona itens à nossa lista de afazeres, ele faz o oposto. Ele pode reduzir a sensação de ter que fazer algo sobre o que está acontecendo agora. Mesmo que algo ainda precise ser feito sobre o que quer que esteja acontecendo, questionar as conclusões da nossa mente pode colocar a necessidade de fazer alguma coisa em melhor perspectiva e reduzir a sensação de sufocação criada pela ladainha sem fim de problemas que a mente pode imaginar. Pode reduzir a lista sempre crescente de coisas que achamos para fazer e resolver.

Happiness

Mais importante ainda, investigar o que é verdadeiro nesse exato momento pode nos colocar em contato com a beleza e a maravilha que está sempre presente neste mistério chamado vida. Não somente não existe nada de problemático ou ruim no aqui e agora, mas há também uma quantidade ilimitada de profundidade e riqueza a ser encontrada no momento presente. Tudo o que realmente importa, como a paz, alegria, satisfação, conexão e amor, é encontrado no aqui e agora, e só no aqui e agora. Para experimentar essa plenitude e admiração, não há nada que precisemos fazer, exceto questionar a conclusão de que a paz, alegria, satisfação e amor ainda não estão presentes e depois olhar para ver se elas estão. Há alguma intensidade de paz presente aqui e agora? Há algum amor presente neste momento? Como é essa paz? Fazer este tipo de pergunta é tudo que é preciso para entrar em contato com a incrível riqueza do momento presente. Não há nada que precisamos “fazer” com relação ao momento presente.

~That is That Essays About True Nature Nirmala

Nirmala é um professor espiritual da tradição advaita, vive em Sedona, Arizona, com sua esposa, Gina. Leia uma entrevista com Nirmala aqui.  Mais informações sobre ele e seus livros, incluindo That is That, Essays About True Nature estão disponíveis em http://endless-satsang.com/. Os textos de Nirmala no zafu.blog.br estão traduzidos e publicados com autorização do autor.

 

 



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