Nós gastamos boa parte da nossa vida em busca do conhecimento. Parece que “saber não ocupa lugar”, nossa família e cultura vigente dão apoio a esta abordagem de vida. Como resultado, a maioria de nós acha desconfortável ou até mesmo assustador não saber alguma coisa. Parece difícil não saber o que fazer, o que você quer, ou o que vai acontecer.
Mas e se houvesse uma riqueza e uma oportunidade na experiência de não saber? E se, em nossa pressa de chegar a um lugar de saber e de certeza, nós passarmos por sobre os espaços vazios de incerteza que podem conter verdades ainda mais profundas? A vida é complexa e tem muitas dimensões. Os elementos mais sutis e profundos da vida não se encaixam facilmente em conceitos e idéias – nosso tipo usual de conhecimento.
Descobrir estas dimensões mais profundas pode exigir uma desaceleração do nosso pensamento e da nossa ação para permitir que os aspectos mais silenciosos e mais profundos da existência sejam reconhecidos. Não saber é realmente uma questão de falta ou incompletude, ou há algo de valor a ser encontrado nos momentos de silêncio quando não sabemos algo?
Não há nada de errado com o conhecimento de algo quando você compreende algo. Mas acontece que também não há nada de errado em não saber, e não saber pode mesmo conduzir a surpreendentes novas profundidades de conhecimento .Tornar-se familiar e confortável com não saber também pode permitir uma experiência mais completa e satisfatória da vida como ela é. Como nós geralmente não sabemos muitos mais do que aquilo que realmente compreendemos, o espaço do não saber é onde grande parte da vida está realmente acontecendo.
Nesse instante, você sabe realmente como o seu coração consegue bater com tanta regularidade? Você realmente sabe como a eletricidade funciona, para onde sua vida está indo, como crescer como pessoa, o que o amor realmente é, em quem confiar e porque você está aqui? E ainda assim, seu coração está batendo, a eletricidade parece funcionar, sua vida está indo para algum lugar, você de alguma forma parece crescer, amor e confiança estão acontecendo, e você está aqui. Todas essas experiências não estão contidas ou dependentem do seu conhecimento, e ainda assim elas estão acontecendo e contribuindo tremendamente para a riqueza da sua vida.
Mesmo assim, lutamos contra o não saber. Nós nos esforçamos para aprender mais e mais. Nós nos esforçamos e lutamos para saber o máximo que pudermos. Toda essa luta e esforço é uma fonte de sofrimento. Mas, e se o não saber, por si só, for uma sensação perfeitamente boa? Apenas quando lutamos contra a experiência de não saber e queremos saber algo quando não o podemos, é que a experiência de não saber tornar-se dolorosa.
Permitir que fiquemos sem saber pode ser um alívio profundo nesta luta. Isto também abre mais plenamente nossa consciência, pois quando não sabemos, tendemos a prestar mais atenção. No espaço em branco de não saber está uma curiosidade natural e uma fome pela verdade. Esta fome é uma experiência curiosa, viva e mutável que reflete a riqueza de tudo o que pode ser conhecido e tudo o que está além de nossas formas habituais de conhecimento.
~That is That Essays About True Nature , Nirmala
Nirmala é um professor espiritual da tradição advaita, vive em Sedona, Arizona, com sua esposa, Gina. Leia uma entrevista com Nirmala aqui. Mais informações sobre ele e seus livros, incluindo That is That, Essays About True Nature estão disponíveis em http://endless-satsang.com/. Os textos de Nirmala no zafu.blog.br estão traduzidos e publicados com autorização do autor.















