Uma vesícula inflamada, e como criamos nossos próprios problemas…

mtc_medRelato de um amigo praticante de meditação sobre uma experiência recente, um exemplo que certamente serve para todos nós.

” Se eu quisesse curar teria que mudar muitas atitudes, precisaria descobrir de onde esses sentimentos destrutivos estavam surgindo, como eu estava lidando com eles, alterar a minha dieta, resumindo, fazer um compromisso sério comigo mesmo para curar mente, emoções e corpo.”

===

Olá!

Inicio me desculpando pela falta de apresentação, me parece que uma história é mais importante que o nome dos seus personagens.

“Qual história é essa?”

Bem, há aproximadamente um mês eu tive uma crise na saúde que me levou a ser hospitalizado.

“E eu com isso?”

Se ao ler isso você se fez essa pergunta, peço que tenha calma, em pouco tempo você vai perceber o propósito deste texto. Voltando a história:

Tive uma crise no fígado, esteatose moderada, e a descoberta de cálculos biliares. Me ofereceram uma cirurgia para remover a vesícula, procurei uma segunda opinião e com as informações que consegui, decidir tentar outras vias de tratamento antes de autorizar a remoção de um órgão “inútil”, como o primeiro médico me informou.

Iniciei uma pesquisa, queria saber como isso foi acontecer comigo, afinal sou jovem e aparento ter uma boa saúde, e principalmente, descobrir como curar essa condição. Em minhas pesquisas não consegui perceber uma resposta conclusiva sobre a origem de tais pedras e uma resposta categórica, “não há cura”, pelo ponto de vista da medicina alopática.

Porém a Medicina Tradicional Chinesa me ofereceu pistas, raiva, frustração, crítica interna e externa, tudo isso desequilibra o funcionamento de ambos os órgãos. Se eu quisesse curar teria que mudar muitas atitudes, precisaria descobrir de onde esses sentimentos destrutivos estavam surgindo, como eu estava lidando com eles, alterar a minha dieta, resumindo, fazer um compromisso sério comigo mesmo para curar mente, emoções e corpo.

“Você nunca se preocupou com a sua saúde? Como deixou isso acontecer?”

Pois é, foram 25 anos comendo fast-food, frituras e outra miríade de guloseimas. Foram os mesmos 25 anos tentando ser uma boa pessoa, sempre que tinha uma insatisfação, raiva, etc… eu guardava isso para mim na esperança de não piorar o problema, o que obviamente não é a opção mais saudável para lidar com essas situações.

Certamente eu sabia que minha saúde não estava boa, já havia tentado mudar hábitos alimentares e já fazia bastante introspecção há anos. Porém doenças sérias e a necessidade de ser submetido a uma cirurgia nem passavam pela minha mente como possibilidades.

Com a dor da crise fresca na memória a mudança tinha que acontecer, eu tinha uma boa motivação. Além de perceber as pessoas próximas me ajudando nessa mudança em busca de uma vida saudável.

Familiares me ajudaram a mudar a dieta, amigos deram sugestões de tratamento e nesse um mês, procurei tratamento profissional em acupuntura, fitoterápicos e também uma recomendação nutricional, me passada a poucos meses que eu não segui, até aquele momento.  Eliminei 10 kg, dores praticamente não existem, me parecia que a cura do corpo estava se encaminhando, porém eu sentia que faltava trabalhar a raiz do problema, impressões mentais e o tumulto emocional.

Para tal uma querida amiga me apresentou o livro, “The Misleading Mind: How We Create Our Own Problems and How Buddhist Psychology Can Help Us Solve Them”, apenas em inglês no momento, com uma tradução minha para, “A mente enganosa(traiçoeira): como criamos nossos próprios problemas e como a psicologia budista pode nos ajudar resolvê-los”.

A jornada para tomar responsabilidade pela sua vida, pensamento, emoções e ações, é trabalhosa, requer atenção e compromisso constante. Não escrevo esse texto para fingir que é algo fácil, mágico e que vai cair no seu colo, mas não se engane, os resultados são incríveis.

Para mostrar os resultados positivos das ajudas que tenho recebido de amigos, familiares, das palavras sábias do livro e das minhas atitudes para atingir uma situação saudável no nível emocional resolvi escrever essa a história sobre algo que aconteceu ontem comigo.

“Qual o objetivo desse texto até agora?”

Basicamente uma introdução, a história que eu planejava compartilhar é a que se seguirá a partir de agora, porém percebi que faltava uma introdução para fazer sentido para você. Vamos lá!

Sábado, 4 de outubro, me preparo para o tratamento semanal numa clínica de acupuntura em outra cidade, separada da minha por uns 50 km. Como não consegui uma carona de carro desta vez, acabei seguindo de ônibus. Depois de muito congestionamento cheguei na divisa para a cidade que me destinava. Já atrasado, a ansiedade, companheira minha de longa data, surgiu no canto da minha mente. Tentei usar a racionalidade:

– Ok eu estou preocupado de não receber o tratamento e ter que pagar por isso, mesmo tendo saído com uma hora de folga (duas horas no total) para superar qualquer eventual problema no trânsito. Todavia se não puderem me atender terei que pagar realmente, o serviço estava disponível.

Com isso me acalmei, mas confesso que ainda havia aquele senso de urgência, era necessário ter pressa, pensei comigo mesmo.

Corri, corri e corri.

Cheguei com uns 15-20 minutos de atraso, o atendimento iria acontecer sem maiores problemas. Contudo quando me preparei para pagar, cadê a carteira? Busquei na bolsa e acabei por perceber que o bolso da calça era pequeno e que a carteira (com cartões de crédito, documentos, quantia para tratamento e retorno) provavelmente tinha ficado no ônibus.

O local onde faço o atendimento ofereceu a possibilidade para que eu pagasse em outro momento e me ofereceram 10 reais para a passagem de volta (que custava 7 reais). Mas ao invés de voltar prontamente para casa e finalizar esse suposto pesadelo na vida real, resolvi deixar as situações fluírem.

Reencontrei amigos e amigas, percebi e aceitei diversas gentilezas deles, pois geralmente eu sou muito fechado para ajuda material, sentia-me como se estivesse piorando os problemas de outras pessoas, que já tem problemas demais por si mesmos.

Visitei centros de três tradições espirituais diferentes entre elas um centro de estudos budista. Aprendi bastante, principalmente que mesmo num grupo de iniciantes um velho praticante como eu tem muito a aprender.

“Não tô entendendo onde você quer chegar”

A moral da história para mim é que a introspecção e aplicação correta de alguns remédios para emoções negativas, transformou um dia que tinha tudo para ser um pesadelo, num dia recheado de esperança, carinho e apoio mútuo. Um dia excelente em todos os sentidos, aprendi bastante, aprendi que mesmo que uma situação ruim apareça, e vai aparecer sempre, podemos transformar numa experiência de aprendizado, ao invés de uma experiência traumática.

Gratidão a todos os meus amigos e familiares pelo apoio, todos os grandes seres que habitaram a Terra com a missão de nos mostrar que existe uma alternativa ao sofrimento perpétuo que parece acometer todos os seres vivos e agradeço também a todos os meus problemas, por que não? Afinal sem eles eu não saberia o que tira a minha paz ou não teria motivação para melhorar.

 

Fraternalmente,

Anônimo

__

PS: Escrevo com algumas perguntas entre aspas para simular uma conversa com você leitor, acredito que o texto fica mais dinâmico dessa forma e menos enfadonho.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...